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Casual Auditores na Mídia
Gazeta Esportiva.NET - 18/10/2005
Receita dos 19 principais clubes brasileiros é 0,047% do PIB
Fábio Matos, especial para a GE.Net
São Paulo (SP) - Em evento realizado nesta terça-feira na sede do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo (CRC-SP), na capital paulista, o auditor Carlos Aragaki, sócio da Casual Auditores Independentes, e o especialista em marketing e gestão esportiva Amir Somoggi apresentaram, em primeira mão, números da chamada 'Casual Report', oriunda da análise dos balanços financeiros de 19 clubes brasileiros referentes ao ano de 2004. E a conclusão é evidente: a situação atual das agremiações é delicada.
Aragaki, que já havia sido ouvido pela reportagem da GE.Net no fim de setembro por conta da matéria especial Ba-Vi: S/A ou S.O.S.? - que abordava a delicada situação de Bahia e Vitória, clubes transformados em empresas e rebaixados à Terceira Divisão do futebol brasileiro -, confirmou que os principais clubes do país tiveram receitas que, somadas, representam apenas 0,047% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil.
'A partir do momento em que se tornou obrigatória a publicação, por parte dos clubes, dos balanços financeiros, nós entramos em cena. Nossa missão é filtrar as informações para o público e mostrar que a situação é muito complicada', diz Aragaki.
O estudo da Casual, que será integralmente apresentado em novembro deste ano, mostra que a soma das receitas dos 19 clubes cujos balanços foram analisados chega a US$ 311 milhões (cerca de R$ 825,7 milhões), sendo que os dez que mais faturaram somam, ao todo, US$ 233,5 milhões (R$ 618,7 milhões). Além disso, as despesas são maiores que as receitas em 75% dos clubes analisados. 'A maioria deles é deficitária. E não dá para enxergar, no curto prazo, que os balanços melhorem. As receitas estão cada vez mais curtas', lamenta Aragaki.
O estudo mostra que a maior parte do faturamento dos clubes brasileiros vem das cotas de televisão e de transferência de atletas, o que gera uma dependência total dessas receitas. 'Não será todo ano que surgirão Robinhos, Kakás e Ronaldinhos. E, quando surgirem, as negociações não serão sempre tão milionárias', aponta Aragaki. Amir Somoggi segue a mesma linha. 'Os clubes do Brasil têm um potencial enorme e deveriam lucrar muito mais. Eles deviam se preocupar em lotar estádios para que as outras receitas aumentem a partir daí', afirma.
Balanços - Em relação à divulgação dos balanços financeiros por determinação das Leis 10.671 e 10.672 - conseqüência das Medidas Provisórias 39 e 79 -, Carlos Aragaki vê avanços. 'As coisas estão mudando lentamente. A fiscalização, aos poucos, está ficando mais eficaz, e os clubes estão mais preocupados em divulgar seus números', garante. O sócio da Casual Auditores lembra, no entanto, que, no caso dos clubes-empresa, não basta apenas se transformar em S/A para ter garantia de saúde financeira. 'Não é receita de bolo. Os clubes precisam se conscientizar de que tudo é um processo. Nada é da noite para o dia'.
Confira a lista dos dez clubes brasileiros que tiveram maiores receitas em 2004 (valores em milhões de dólares e 'arredondados'):
1) Corinthians - US$ 37 milhões
2) São Paulo - US$ 31 milhões
3) Palmeiras - US$ 28 milhões
4) Santos - US$ 26 milhões
5) Internacional - US$ 24 milhões
6) Cruzeiro - US$ 22 milhões
7) Flamengo - US$ 19 milhões
8) Atlético/MG - US$ 14 milhões
9) Vasco - US$ 14 milhões
10) São Caetano Futebol Ltda. - US$ 13 milhões
*Fonte: Casual Report
Carnê é saída para os clubes, diz especialista
Fábio Matos, especial para a GE.Net
São Paulo (SP) - Em tempos de pouca bilheteria nos estádios e de total dependência dos clubes brasileiros das cotas de televisão e vendas de jogadores para o exterior, uma possível solução é a venda de carnês para todas as partidas do campeonato. A idéia é do especialista em marketing e gestão esportiva Amir Somoggi, que participou de evento realizado nesta nesta terça-feira na sede do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo (CRC-SP), na capital paulista.
'Os carnês são um passo decisivo no processo de modernização dos clubes e de busca por um faturamento maior', afirma Somoggi. 'O problema é o seguinte: o carnê só dará certo no Brasil se o preço do ingresso no dia do jogo for muito mais caro que o do carnê. Tem que elitizar mesmo. Isso obrigaria as pessoas a comprarem o carnê', diz.
O exemplo citado por Somoggi foi o Manchester United, clube com maior faturamento no futebol mundial no último ano. 'O Manchester não vive só de estádio, não vive só de vender jogador. Eles têm um projeto amplo de obtenção de outras receitas', conta. A média de público da equipe britânica, por exemplo, é de 67,5 mil torcedores por partida em casa.
Questionado sobre a viabilidade de implantação do sistema no Brasil, Amir Somoggi citou o São Paulo. 'Vejamos o São Paulo, por exemplo, que não é o Manchester mas é o clube brasileiro com maior evolução de receita nos últimos quatro anos. Em 2001, o clube faturou R$ 50 milhões e, em 2004, R$ 83,5 milhões, com um crescimento de 21% ao ano. Eles podiam iniciar o sistema de venda de carnês, pois já têm todas as condições para isso, com as cadeiras cativas no Morumbi', sugere.
Ele destacou a fórmula de pontos corridos do Campeonato Brasileiro, em vigor desde 2003, como um facilitador do sistema de carnês. 'O campeonato por pontos corridos viabiliza os carnês, pois o torcedor faz uma aposta no bom desempenho de sua equipe. Mas é claro que tudo depende do uso constante, de uma cultura criada no torcedor', opina. 'A meta do clube deve ser fidelizar o torcedor, impulsionar a marca do clube no exterior e ter um planejamento estratégico de longo prazo, com medidas criativas de marketing', completa.