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Casual Auditores na Mídia
Jornal do Brasil – 28/01/2006
Receita de craques à venda
A venda de craques tornou-se a principal fonte de receita dos clubes de futebol brasileiros, superando os recursos obtidos com as transmissões de partidas pela TV. O levantamento foi feito pela Casual Auditores Independentes, empresa especializada em auditar contas relacionadas ao esporte. As transferências de atletas representaram R$ 191,97 milhões, ou 30%, do faturamento dos 19 maiores clubes - R$ 825,7 milhões de acordo com os balanços referentes a 2004. O dinheiro da televisão respondeu por 29%; patrocínios e publicidade, por 11%; e bilheteria, por apenas 7%.
- As receitas com a negociação de atletas têm contribuído para melhorar os balanços dos clubes. O São Paulo, por exemplo, teve um salto em seu faturamento, , em 2003, para R$ 95,1 milhões, por conta da venda do Kaká (para o Milan). O Palmeiras faturou mais R$ 26,1 milhões, principalmente por causa da venda do Vágner Love (para o CSKA) - assinala Carlos Aragaki, sócio da auditoria e um dos autores do Casual Report, espécie de mapa do cenário da auditoria e contabilidade no futebol brasileiro. - Mas é claro que este não é um modelo sustentável. Todos os clubes caminham para o vermelho. Quantos Robinhos você pode formar em um ano? Em vez de plantar e colher os frutos, estão arrancando as sementes.
Os dados de 2005 só serão conhecidos após a divulgação dos balanços, que deve ocorrer até abril. Mas virão novamente inflacionados pela venda de estrelas como Robinho, do Santos para o Real Madrid, pela bagatela de US$ 30 milhões.
Na opinião de Aragaki, o futebol nacional deveria focar em outras fontes de receita, como os (hoje subaproveitados) estádios e o licenciamento de produtos. O esporte se tornou uma indústria bilionária, de alcance mundial, mas o Brasil pouco se beneficiou da maré favorável de investimentos privados. Os dez maiores clubes do país giraram US$ 233,5 milhões em 2004, pouco mais de um décimo dos US$ 2,2 bilhões movimentados pelos top ten da Europa. E, no Velho Mundo, há muito mais times com fôlego financeiro. O faturamento total das cinco principais ligas européias (Inglaterra, Itália, Espanha, Alemanha e França) soma 5,6 bilhões de euros (cerca de R$ 15 bilhões).
O problema no Brasil é a falta de credibilidade das instituições e de visão de longo prazo. Os clubes nacionais raramente conseguem explorar de forma inteligente suas marcas. Daí os estádios sempre ociosos. Neste sentido, Aragaki destaca a experiência do Atlético-PR, com a Arena da Baixada.
- É um clube que tem planejamento estratégico e otimiza o uso de seu estádio, oferecendo pacotes de ingressos para toda a temporada.
Na Europa, mídia é outra coisa
O conceito de mídia para o futebol nacional quase sempre se restringe à transmissão dos jogos pela TV. Na Europa, no entanto, as verbas que têm mais crescido são as geradas por conteúdos próprios dos clubes, oferecidos em parceria com operadoras de telefonia móvel, fabricantes de games, além de vendas de DVDs, filmes, revistas e até a criação de emissoras próprias de rádio e televisão.
Estádio rentável é chave do sucesso
Os estádios viraram fonte perene de recursos para os clubes europeus. Lá não se olha mais apenas para bilheteria em dia de jogo. As receitas vêm dos season tickets (pacotes de ingressos para toda a temporada), camarotes corporativos, venda de comidas e bebidas, comercialização de produtos licenciados, museus, bares temáticos, lojas, shoppings e mesmo visitas guiadas - impulsionadas pelo crescente mercado do turismo esportivo. Imagine o potencial de um Maracanã onde todos estes serviços fossem (dignamente) oferecidos).