English - Português
Casual Auditores na Mídia
Jornal do Commercio - 07/03/2006
Contabilidade
Falta de padrão é obstáculo
Companhia brasileira globalizada trabalha dobrado para elaborar demonstração financeira
Karina di Nubila
A falta de padronização legal e o excesso de normas têm sido entrave para grandes empresas que, diante de um cenário globalizado e exigente em termos de transparência, necessitam publicar suas informações contábeis. As demonstrações contábeis, divulgadas no início de cada ano, devem ser transparentes e prestar contas de todas as ações realizadas na empresa. Através deste registro, é possível avaliar a situação da companhia no seu segmento de atuação e observar a qualidade de sua gestão.
Carlos Aragaki, vice-presidente do Comitê de Controladoria da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) e sócio da Casual Auditores Independentes, justifica a necessidade de clareza nestes documentos e ressalta a ausência de rigidez no sistema contábil brasileiro. “È necessário uma fiscalização rígida em relação à prática contábil brasileira. A imprecisão de muitas informações e o excesso de expressões genéricas e vazias decepcionam os analistas na leitura das demonstrações financeiras, mas nenhuma atitude é tomada por parte das autoridades para mudar esta realidade. Com o aprofundamento da globalização, a solução para uma maior transparência nos processos seria implementar uma linguagem contábil única para todas as empresas”, avalia Aragaki.
Entidades como a Anefac, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o Instituto Brasileiro de Contadores (Ibracon) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) conscientes desta necessidade, estão incentivando as empresas brasileiras a buscarem as melhores práticas contábeis. José Ronoel Piccin, presidente da Anefac, explica que as práticas contábeis brasileiras têm algumas limitações. Se removidos os entraves, a transparência das informações contidas nas demonstrações seria maior. “ As normas contábeis brasileiras são diferentes em alguns aspectos, das normas contábeis estrangeiras”, diz Piccin.
Nos Estados Unidos, segundo o presidente da Anefac, a publicação de demonstrações financeiras é regida pelos Princípios de Contabilidade Geralmente Aceitos (US GAAP, na sigla em inglês), que devem ser seguidos por todas as empresas listadas nas Bolsas de Valores americanas. Já os Padrões Internacionais de Relatórios Financeiros (IFRS, na sigla em Inglês) são adotados em cerca de 100 países, principalmente da União Européia (UE).” A forma como se contabiliza um empréstimo no Brasil é diferente de como se calcula no exterior. O fluxo de caixa no Brasil não é obrigatório, sendo que para os sistemas americano e europeu a sua elaboração é uma norma. A solução para dar mais transparência aos processos no País seria escolher umas das regras contábeis adotadas lá fora e aplicá-la no Brasil” , pontua Piccin.
A Brasil Telecom operadora de telefonia fixa, adotou uma postura uma postura rígida ao ingressar no mercado de ações. Foi a primeira empresa de telecomunicações a listar certificados representativos de ações (American Depositary Receipts ou ADRs) na Bolsa de Nova York , em 2001 e aderiu ao Nível 1 de Governança Corporativa na Bovespa em 2002. Assim a área de conroladoria da empresa passou a elaborar duas demonstrações contábeis , um seguindo as normas brasileiras e , outro, as estrangeiras. Elaborar duas demonstrações significa retrabalho desnecessário, segundo Célio Godinho, gerente de demonstrações contábeis locais e do exterior. Com regras únicas, o trabalho dos contadores brasileiros ficaria mais padronizado, facilitando na hora de fazer as adequações do modelo nacional às normas estrangeiras.
As empresas com representação no exterior e no Nível 2 ou Nível Novo Mercado da Bovespa, ao aderirem a esta política de transparência na contabilidade, têm sua imagem beneficiada no mercado mundial. “ A transparência e o acesso irrestrito às informações na relação com investidores e acionistas reforça a solidez e a segurança do investimento. Isso sinaliza a aprovação internacional da empresa e a destaca entre as companhias mais estáveis do País”, ratifica Godinho.
Claudia Leão, gerente de controladoria da Localiza, locadora de veículos, sinaliza o excesso de normas que dificulta a transparência das demonstrações no Brasil. Ter o domínio completo de todos os procedimentos existentes no mercado exige uma atualização constante e, mesmo assim, é tarefa difícil de se realizar. É necessário mobilizar número considerável de funcionários focados na tarefa , mas não são todas as empresas que possuem uma área de controladoria com tal nível de organização. “Na Localiza, todo ano, antes de fazermos a nossa demonstração, checamos se os procedimentos contábeis precisam ser modificados e se seguiram normas novas a serem obedecidas. Tentamos atender a todas as regras vigentes. Pesquisa junto aos investidores e analistas de mercado detectam dúvidas que surgiram nos relatórios anteriores, permitindo implantar melhorias ano a ano”, resume Cláudia.