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   English - Português Casual Auditores na Mídia Meio & Mensagem - 05/09/2005

Estudo sobre futebol mostra raio X financeiro dos clubes
Fernando Murad

       Jogo Truncado, grandes clubes de futebol fazem feio na hora de gerar receitas

       Grande celeiro de craques, maior exportador de jogadores do futebol mundial, dono de cinco Copas do Mundo e atual detentor de todos os títulos possíveis entre seleções profissionais( Copa do Mundo, Copa América e Copa das Confederações- as duas últimas conquistadas sobre a eterna rival Argentina). Mesmo com todas essas credenciais quando o esporte nacional sai das quatro linhas e olha para o próprio umbigo, vê uma realidade não tão duradoura assim.

       No jogo do desempenho financeiro nosso futebol toma de goleada. A receita total em 2004 dos 19 principais clubes do País- grupo que ostenta os 34 títulos disputados desde a criação do Campeonato Brasileiro, em 1971- é inferior à soma dos rendimentos de duas potências européias.

       O estudo Lista Casual Auditores de Clubes - 2005, desenvolvido pela Casual Auditores Independentes, apontou que a elite do futebol brasileiro gerou receita total de R$ 825,7 milhões no ano passado. O montante fica bem distante do faturamento do inglês Manchester United e do espanhol Real Madrid - de Ronaldo, Roberto Carlos, Robinho e companhia- , que registraram, respectivamente, € 259 milhões e € 237 milhões no mesmo período.

       O levantamento tem com base informações financeiras referentes aos exercícios de 2004 e 2003 e os indicadores contábeis e de gestão das principais agremiações do País, e tornou-se possível graças à Lei nº. 10.672 de 15 de maio de 2003, que obriga os times de futebol a apresentar seu balanço patrimonial, medida que visa maior controle, transparência e responsabilidade fiscal por parte dos dirigentes.

       CORDA NO PESCOÇO

       Os R$ 825,7 milhões superam a receita de R$ 628,34 milhões obtida em 2003, mas não cobrem as despesas da maioria das equipes. Das 19 agremiações analisadas, apenas 37% apresentaram superávits no exercício de 2004, representando um valor consolidado de R$ 53,84 milhões. Os 63% restantes registraram déficits, resultando num saldo negativo de R$ 111,52 milhões.O superávit médio foi de R$ 7,69 milhões, enquanto o déficit médio atingiu R$ 9,87 milhões.

       No universo total do estudo, 74% dos times tiveram déficits acumulados de R$ 818,90 milhões, com média de R$ 58,49 milhões. Os demais 26% apresentaram superávits acumulados, representando um valor total de R$ 137,89 milhões (média de R$ 27,58 milhões). O time com maior superávit em 2004 foi o Internacional, com R$ 15,4 milhões, seguido por Corinthians, Santos, Palmeiras, São Caetano, Flamengo e Cruzeiro.

       Já no acumulado, apenas Santos, Corinthians, Cruzeiro, Palmeiras e São Caetano estão no azul. A maior fonte de receita dos clubes continua sendo a negociação de atletas (30%), seguida de perto pelas cotas de TV (29%) e por patrocínio e publicidade (11%). "Os números demonstram que as principais fontes de receita já não conseguem cobrir os gastos, e o que preocupa é se os times continuarão a formar craques num espaço mais curto de tempo para manter esse caixa", aponta Carlos Aragaki, sócio da Casual Auditores.

       RENDA RESTRITA

       A venda de craques chega a representar 65% da receita para algumas equipes. Na média é de 55%. Internacional, com R$ 35,4 milhões, e Santos, com R$ 30,7 milhões, foram os que mais lucraram com esse expediente. Os campeões de arrecadação na área de patrocínio e publicidade no mesmo período foram Flamengo, São Paulo e Corinthians, com R$ 16,7 milhões, R$ 13,1 milhões e R$ 12,8 milhões, respectivamente.

       Na Europa, a bilheteria é muito lucrativa. Por aqui ainda não recebe o devido valor , e responde por apenas 7 % da receita. Falta de infra-estrutura, como estacionamento, banheiros limpos, lanchonetes e segurança, afugentam os torcedores e rendem aos clubes uma ocupação média de estádios de 20%.No velho continente, esse percentual está entre 60% e 80%.

       Uma nova fonte de recursos, apregoada por dirigentes como a salvação das equipes e tida por críticos como uma atitude paternalista do governo, está em discussão em Brasília. Trata-se do projeto da Timemania, que cria uma loteria para ajudar no saneamento das dívidas, primeiramente as públicas. O Projeto de Lei nº. 5.524/05, do deputado Pedro Canedo (PP/GO), já foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara e agora está sob análise da Comissão de Finanças e Tributação da Casa, cujo relator é o deputado Moreira Franco (PMDB/RJ). O projeto tramita em regime de urgência e por isso deverá ser analisado pelo plenário da Casa em breve, independentemente do resultado na comissão.