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Casual Auditores na Mídia
O Jogo – Portugal - 10/02/2006
A delicada situação dos clubes brasileiros
O Brasil é o actual campeão mundial, crónico produtor de craques, maior exportador mundial de jogadores de futebol. A nível económico, no entanto, os clubes brasileiros não reflectem essa pujança. De acordo com a análise realizada pela firma de auditoria Casual Auditores, de São Paulo, 63% dos grandes clubes brasileiros teve prejuízo em 2004. A soma das receitas dos maiores clubes brasileiros, naquele ano, não chega a atingir os 310 milhões de euros - um valor inferior, portanto, à receita do Real Madrid ou do Manchester United em 2004.
A lei brasileira tornou obrigatória, a partir de 2003, a publicação de relatórios e contas dos clubes de futebol. Com base nesses dados, a Casual elaborou uma lista dos 19 clubes mais importantes do país, isto é, clubes com receitas superiores a 15 milhões de reais anuais (cerca de 5,6 milhões de euros).
Os quatro grandes de São Paulo - Corinthians, São Paulo FC, Palmeiras e Santos - lideram a tabela dos clubes mais ricos do Brasil. A lista da Casual ilustra, aliás, a situação delicada dos clubes mais tradicionais do Rio de Janeiro. Vasco da Gama, Fluminense e Botafogo apresentaram prejuízos globais de quase 23 milhões de euros em 2004. Entre os cariocas, apenas o Flamengo escapou ao vernelho, registando um resultado positivo de cem mil euros.
O primeiro lugar do Corinthians, no entanto, está directamente ligado à entrada em cena do MSI, o misterioso consórcio de investidores estrangeiros que em Novembro de 2004 assinou um contrato de "administração exclusiva do departamento de futebol profissional e amador, licenciamento e outras avenças" do clube paulista. O Corinthians incluiu nas suas contas de 2004 uma fatia de 20 milhões de euros injectados pelo MSI e atingiu proveitos globais de 37,5 milhões - um valor 82% superior aos números de 2003.
Muito dependentes da venda de jogadores
A saúde financeira dos clubes brasileiros está muito dependente da venda de jogadores para o estrangeiro - de acordo com a CBF, 857 jogadores foram negociados para clubes estrangeiros em 2004. As receitas de bilheteira são insignificantes, representando apenas 7% dos proveitos dos clubes. As únicas excepções, neste domínio, foram o São Paulo (2,8 milhões de euros de receitas de bilheteira em 2004), o Corinthians (1,9 milhões) e o Bahia (1,9 milhões). Quase um terço das receitas dos clubes tem origem na venda de jogadores. Em alguns casos, as transferências constituem 65% dos proveitos. No Santos, por exemplo, a venda de jogadores - sobretudo Diego, para o FC Porto - rendeu 11,5 milhões, quase metade dos proveitos totais do clube em 2004. Antes da chegada do MSI, o clube mais rico do Brasil era o São Paulo FC: 35,6 milhões de euros de facturação, em 2003, graças às receitas extraordinárias provocadas pela venda de Kaká para o Milan. No ano seguinte, o clube vendeu Luís Fabiano ao FC Porto e atingiu uma facturação total de 31,3 milhões - uma descida de apenas 12% relativamente ao ano anterior.
Para Carlos Aragaki, sócio da Casual Auditores, os clubes brasileiros precisam de diversificar as suas receitas, melhorar a infraestrutura, tentar aumentar os proveitos em dia de jogo e a exploração comercial da marca. Os grandes clubes brasileiros vendem cem mil camisolas oficiais por ano, mas a verdade é que os brasileiros compram bem mais do que isso. Calcula-se que para cada camisola oficial existem três piratas à venda. "O jogador é exportado cada vez mais cedo. Os clubes não estão a colher os frutos do investimento nos atletas, mas sim cortando pela raiz", acrescenta Aragaki numa entrevista ao jornal brasileiro "Valor Econômico". Uma das novidades importadas da Europa que alguns clubes tentam lançar, agora, são os bilhetes de época. Estes "carnês", como são chamados no Brasil, são olhados como uma das vias para o aumento da facturação e modernização dos clubes.